terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Como ser astrônoma/astrônomo profissional

Milhares de pessoas têm o sonho de se tornar astrônomos/astrônomas. Para se tornar astrônomo profissional é necessário graduação em Física ou Astronomia, e pós-graduação em Astronomia.

Astronomia (ou Astrofísica) é o estudo dos astros e do próprio universo, usando as ferramentas da Física. Por isso, a graduação em Astronomia é similar à graduação em Física. A principal diferença é que na graduação em Astronomia existem disciplinas básicas (obrigatórias) e eletivas de Astronomia, como por exemplo "Introdução à Astronomia", "Planetas e Sistemas Planetários", "Astrofísica Estelar", "Astrofísica Galáctica e Extragaláctica" e "Introdução à Cosmologia". 

Na graduação em Física às vezes estão disponíveis disciplinas eletivas de Astronomia. Por exemplo, na USP os alunos do bacharelado em Física (do IF/USP) podem se matricular em diversas disciplinas de Astronomia oferecidas pelo IAG/USP. Outra opção é estudar por conta própria diversos temas de Astronomia em nível introdutório. É importante ter pelo menos noções básicas de Astronomia (p.ex. conceitos como magnitude, diagrama H-R, classificação de estrelas), para ter um melhor desempenho na pós-graduação.

Caso o bacharelado em Física da sua universidade não ofereça nenhuma disciplina básica de astronomia, existem muitos livros de Introdução à Astronomia (principalmente em Inglês) que você pode tentar estudar sozinho. Um dos que eu mais gosto para Astronomia em nível introdutório é o "The Essential Cosmic Perspective" (ou o mais completo "The Cosmic Perspective"), por Jeffrey Bennet e co-autores. Existem vários outros livros desse tipo. Para estudar os conceitos básicos não é necessário adquirir a ultima edição dos textos; pode encontrar edições anteriores a um melhor preço (usados, ou novos, na Amazon). Outro livro introdutório porem que aborda diversos temas de Astronomia de uma maneira mais profunda é o "An Introduction to Modern Astrophysics", por Carroll & Ostlie.

Na graduação você aprenderá apenas as ferramentas básicas. Caso tenha interesse em aprofundar seus conhecimentos ou fazer pesquisa em Astronomia, é importante fazer uma pós-graduação. A grande maioria de Astrônomos profissionais no Brasil (e no mundo) que fizeram pós-graduação em Astronomia, fez primeiro graduação em Física, pois existem poucas universidades que oferecem bacharelado em Astronomia (no Brasil, a UFRJ, UFRGS, USP, UFS). Alunos com bacharelado em Engenharia também podem fazer pós-graduação em Astronomia, porem é necessário ter conhecimentos básicos de Física pois geralmente é necessário aprovar um exame de Física para entrar na pós-graduação. Para os alunos de engenharia, é importante estudar disciplinas adicionais de Física que podem não fazer parte da sua estrutura curricular, como por exemplo Electromagnetismo e Mecânica Quântica.

Existem várias universidades/institutos no Brasil oferecendo Mestrado e Doutorado em Astronomia (p. ex., USP, Observatório Nacional, UFRGS, UFRN, UFRJ, UNIFEI, UNIVAP, INPE). A qualidade da graduação e pós-graduação no Brasil é razoavelmente boa. Ou seja, não é necessário sair ao exterior para se tornar astrônomo. No entanto, se tiver a oportunidade, recomendo fortemente em algum momento tentar fazer algum estágio fora (no bacharelado, mestrado ou doutorado). Estágios no exterior são mais comuns no doutorado. Se quiser, pode fazer todo o bacharelado ou pós-graduação no exterior, claro. Após o doutorado e antes de obter um emprego fixo, os astrônomos profissionais geralmente têm  empregos temporários (1 a 3 anos) de "pós-doutorado", que podem ser no país ou no exterior (eu fiz pós-doutorado nos Estados Unidos, Austrália e Portugal).

Boa parte dos Astrônomos profissionais no Brasil trabalham em Universidades ou Institutos de Pesquisa. Nas universidades geralmente a função principal é dar aulas e realizar pesquisa, e também é possível orientar alunos de graduação ou pós-graduação. Nos Institutos de pesquisa (p.ex., INPE, LNA) podem ser desenvolvidas diversas funções como a pesquisa pura, gerenciamento de projetos (por ex. os observatórios Gemini, SOAR e OPD são gerenciados pelo LNA), construção de instrumentação astronômica, e assistente de astrônomos em observatórios. Além da pesquisa, também existe a possibilidade de dar aulas e orientar alunos.

O trabalho de pesquisa realizado pelo astrônomo depende da sua área de especialização. Por exemplo existem astrônomos "observacionais" que obtêm dados em telescópios no Brasil (OPD) ou exterior (ESO, Keck, Subaru, Gemini, CFHT, etc.), ou inclusive em observatórios espaciais (p.ex., Hubble, Chandra, Kepler). Esses dados podem ser empregados pelo próprio pesquisador ou por alunos do seu grupo. Astrônomos "teóricos" podem trabalhar desenvolvendo teorias a partir de equações básicas, o que pode incluir também uso de simulações no computador.

Embora o principal campo de atuação dos astrônomos profissionais seja a pesquisa/ensino, existe também a possibilidade de atuar em divulgação da Astronomia em Planetários e Observatórios para o público, ou em Centros de Pesquisa orientados à Divulgação Científica, como o Museo de Astronomia e Ciências Afins (MAST), contribuindo para difundir o conhecimento astronômico para o grande público.

3 comentários:

  1. Gracias por la información Dr. Meléndez, emprenderé mis estudios en Física próximamente.

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  2. Interessante. Tinha curiosidade sobre a formação. Mas na minha idade vou me limitar na astronomia Amadora

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  3. Ilustríssimo Senhor (a) estou promovendo o meu livro Orbe Teorum .
    Através do https://orbeteorum.blogspot.com/, com o nome do livro, o livro contem novas teorias sobre formação das galáxias e dos sistemas planetários e como a vida surgiu na Terra, com um novo enfoque topológico e metodológico de campos de partículas.
    Meus agradecimentos
    Atenciosamente
    Osmar Cesar Pires

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